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Como fazer uma refutação: método em quatro passos com exemplos

Saiba o que é uma refutação, como se distingue de um contra-argumento e como a escrever em quatro passos. Inclui exemplos para textos argumentativos, técnicas de debate, frases para começar e exercícios.

Como fazer uma refutação: método em quatro passos com exemplos

O professor de História devolve ao Rafael o texto argumentativo sobre a descida da idade de voto para os 16 anos. A sua posição está bem defendida e as provas são razoáveis. Mas, ao lado de uma frase solitária perto do fim, o professor escreveu: "Referes o outro lado e depois abandonas o assunto. Onde está a tua refutação?"

A frase diz: "Há quem diga que os jovens de 16 anos não têm maturidade suficiente para votar, mas eu discordo." Isto não é uma refutação. É um encolher de ombros com uma vírgula pelo meio.

Uma boa refutação mostra ao leitor onde falha o argumento contrário, por que razão falha e o que isso significa para a questão em debate. Neste guia, vais encontrar um método simples em quatro passos, cinco tipos de refutação, um modelo de parágrafo com exemplos desenvolvidos, técnicas para debates ao vivo, frases para começar, erros comuns e exercícios.

O que é uma refutação?

Uma refutação é a tua resposta a um argumento contrário. Mostra por que razão esse argumento está errado, é menos sólido do que parece ou tem menos peso do que o teu. Num texto argumentativo, costuma ocupar um parágrafo próprio. Num debate, é a parte da intervenção em que respondes ao que o outro lado acabou de dizer.

É fácil confundi-la com dois conceitos próximos. Vale a pena distinguir os três.

Conceito O que é Quem o apresenta Exemplo (tema: semana escolar de quatro dias)
Tese contrária Uma afirmação que se opõe à tua tese O outro lado "Uma semana escolar de quatro dias prejudicaria a aprendizagem."
Contra-argumento A tese contrária e as razões que a sustentam O outro lado (ou tu, ao apresentá-lo de forma justa) "Os alunos perderiam tempo de aulas, e menos tempo na escola costuma significar menos aprendizagem, sobretudo para quem tem dificuldades."
Refutação A tua resposta, que mostra por que razão o contra-argumento falha ou tem menos importância Tu "As escolas que passam a quatro dias costumam prolongar os restantes, pelo que o total de horas quase não muda. Saber se dias mais longos cansam os alunos é outra questão."

Em muitas aulas, o «contra-argumento e a refutação» são ensinados em conjunto: apresentas a posição contrária de forma justa e depois respondes-lhe. É esta sequência que está na base do parágrafo de refutação que veremos mais à frente.

Porque é que as refutações são importantes

Um texto que só mostra um lado parece um discurso de vendas. Se o leitor defender a posição contrária, vai reparar que ignoraste o contra-argumento e confiar menos em ti. Enfrentá-lo diretamente mostra que compreendes o debate, responde à principal razão que o leitor teria para discordar e permite-te tratar a objeção nos teus termos.

Num debate, um argumento sem resposta costuma ser considerado aceite. O nosso guia sobre como debater aborda a estrutura das intervenções e a preparação. Aqui, concentramo-nos na resposta aos argumentos contrários.

A maioria das boas refutações segue a mesma sequência. Chama-lhe o método de refutação em quatro passos:

  1. Dizem. Apresenta o argumento contrário com rigor e brevidade.
  2. Mas. Identifica a falha ou explica por que razão o argumento tem menos peso.
  3. Porque. Dá a tua razão e apresenta provas.
  4. Logo. Mostra o que isso significa para a questão ou para a tua tese.

Vamos reconstruir a frase do Rafael:

Dizem: Quem se opõe à medida argumenta que os jovens de 16 anos não têm maturidade suficiente para tomar decisões de voto informadas.

Mas: Não exigimos uma prova de maturidade a nenhum outro eleitor.

Porque: Os adultos não têm de demonstrar que compreendem as políticas antes de votar, e muitos jovens de 16 anos já trabalham, pagam impostos sobre os seus rendimentos e conduzem ciclomotores.

Logo: Se não exigimos essa prova aos eleitores adultos, a falta de maturidade não é um critério coerente para excluir os jovens de 16 anos.

Um adversário atento ainda poderia responder, mas agora há uma verdadeira refutação. O leitor conhece a objeção, a falha, as provas e a consequência.

O que acontece quando saltas um passo

Passo omitido Como se manifesta O que corre mal
Dizem Começar logo com "Isso está errado porque..." O leitor não sabe a que argumento estás a responder
Mas Repetir a objeção e passar diretamente para a tua posição Não respondes à objeção e parece que a estás a evitar
Porque "Esse argumento está simplesmente errado." Fazes uma afirmação sem dar ao leitor nada que possa verificar
Logo Terminar depois de apresentar as provas O leitor tem de adivinhar por que razão são relevantes

O passo logo é aquele que até os bons escritores se esquecem de incluir.

Começa por apresentar bem o argumento contrário

Se descreveres a posição do outro lado de forma fraca ou distorcida, tudo o que disseres a seguir perde força. Quem defende essa posição vai pensar: "Não é isso que estamos a dizer." Apresenta o contra-argumento como o faria o seu melhor defensor. O nosso guia sobre como construir a versão mais forte de um argumento mostra-te como. Uma refutação de um argumento forte vale mais do que dez refutações de caricaturas.

Cinco tipos de refutação

Imagina cada argumento como uma pequena cadeia: as provas sustentam um raciocínio, que conduz a uma conclusão com determinado impacto na questão. Podes quebrar qualquer um destes elos. Os tipos seguintes correspondem de perto às quatro formas de resposta do nosso guia de debate, com uma opção adicional.

1. Contestar as provas

Questiona os factos. A fonte é fiável? O exemplo é representativo ou foi escolhido a dedo?

"O aumento da criminalidade numa vila depois da abertura de um parque de skate é apenas um caso. Não demonstra que o parque tenha causado esse aumento."

Pode ser útil, mas, por si só, costuma ser a opção mais fraca: o outro lado também poderá encontrar mais provas.

2. Contestar o raciocínio (quebrar a ligação)

Aceita as provas, mas mostra que não levam à conclusão apresentada. É muitas vezes a refutação mais forte, porque continua válida mesmo que todos os factos citados sejam verdadeiros.

"Mesmo que os alunos que usam o telemóvel nas aulas tenham notas mais baixas, isso não prova que o telemóvel cause a descida. Pode simplesmente acontecer que os alunos menos envolvidos na aula peguem mais vezes no telemóvel."

Muitas destas ligações frágeis são falácias reconhecíveis, como confundir correlação com causalidade ou presumir uma escalada inevitável de consequências. O nosso guia sobre falácias lógicas ajuda-te a identificá-las.

3. Comparar a importância das consequências

Admite que o argumento contrário é válido, mas mostra que o teu tem mais peso: afeta mais pessoas, é mais provável ou produz efeitos mais duradouros.

"Sim, começar as aulas mais tarde complica os horários dos autocarros. Mas dormir mais beneficia todos os alunos, todos os dias de aulas, enquanto reorganizar os transportes é um problema de planeamento pontual."

4. Virar o argumento a teu favor

Mostra que o argumento do outro lado, na verdade, apoia a tua posição.

"O meu adversário diz que os trabalhos de casa ensinam responsabilidade. Mas, quando os alunos copiam respostas ou são os pais a acabar os trabalhos à meia-noite, o que aprendem é a contornar uma regra. Se o objetivo é desenvolver responsabilidade, isso é um argumento a favor de menos trabalhos de casa e de tarefas mais bem pensadas."

Esta técnica pode ser poderosa, mas é arriscada. Se a lógica não sustentar realmente a inversão, vai parecer um jogo de palavras.

5. Conceder e limitar

Reconhece que o argumento tem alguma razão, mas mostra que o problema é limitado ou pode ser resolvido de outra forma.

"Alguns trabalhadores em regime remoto sentem-se isolados. Um dia presencial por mês pode ajudar a resolver esse problema, que não justifica acabar com o trabalho remoto para todos."

Fazer uma concessão gera confiança. Um leitor que te vê reconhecer um argumento justo estará mais disposto a acreditar no resto do que dizes.

Que tipo de refutação deves escolher?

Tipo O que contesta Quando é mais útil Cuidado com
Contestar as provas Os factos As provas são fracas, antigas ou escolhidas a dedo Uma disputa interminável de fontes
Contestar o raciocínio A ligação entre factos e conclusão Os factos são verdadeiros, mas não justificam a conclusão Parecer excessivamente picuinhas
Comparar consequências A importância Os dois lados apresentam argumentos válidos Não explicar por que razão o teu pesa mais
Virar o argumento O sentido da conclusão A lógica contrária apoia realmente a tua posição Forçar um jogo de palavras
Conceder e limitar O alcance O argumento é justo, mas limitado ou solucionável Conceder mais do que o necessário

As refutações fortes combinam frequentemente dois tipos: "As provas apresentadas são fracas e, mesmo que fossem sólidas, não demonstrariam o que o outro lado afirma." A expressão "mesmo que" mostra ao leitor que a tua posição se mantém, mesmo que a tua primeira resposta não resulte.

Modelo de parágrafo de refutação para textos argumentativos

Num texto argumentativo, o parágrafo de refutação costuma surgir imediatamente antes da conclusão ou a seguir ao parágrafo que o contra-argumento mais diretamente põe em causa. Eis um modelo baseado nos quatro passos:

  1. Transição e tese contrária. Introduz a outra posição e apresenta-a de forma justa.
  2. Melhor argumento de apoio. Explica, numa ou duas frases, por que razão há quem a considere convincente.
  3. Mudança de direção. O «mas».
  4. Provas e raciocínio. O «porque».
  5. Ligação à tese. O «logo».

Como regra aproximada, dedica um terço do parágrafo ao contra-argumento e dois terços à tua resposta. Menos do que isso pode fazer-te parecer injusto. Mais do que isso e o parágrafo começa a defender o outro lado.

Exemplo 1: As escolas devem exigir uniforme? (contestar o raciocínio)

A Hana defende que o uniforme não deve ser obrigatório:

Os defensores do uniforme obrigatório argumentam que este reduz o bullying por ocultar diferenças de rendimento entre famílias. O raciocínio parece lógico: se todos usarem a mesma roupa, ninguém poderá ser gozado por vestir peças baratas ou fora de moda. No entanto, parte do princípio de que a roupa é a principal forma de os alunos mostrarem estatuto social, e isso não corresponde à realidade. Mesmo com uniforme, os alunos levam telemóveis, usam sapatos, trazem mochilas e falam das férias, tudo sinais que podem revelar as condições económicas da família. Além disso, o bullying raramente depende apenas do rendimento: os alunos também são visados pela aparência, pela personalidade ou pelas amizades, e o uniforme não esconde nada disso. A obrigatoriedade do uniforme elimina, portanto, uma diferença visível sem resolver as causas do problema. Se querem reduzir o bullying, as escolas devem investir na supervisão e em consequências claras, em vez de impor regras de vestuário que apenas tratam um sintoma.

As duas primeiras frases apresentam o contra-argumento com justiça. «No entanto» assinala a mudança de direção. A Hana aceita que o uniforme esconde diferenças na roupa, mas contesta a conclusão de que, por isso, reduz o bullying. A última frase retoma a sua tese.

Exemplo 2: Os centros das cidades devem ser fechados aos carros? (comparar consequências)

O Callum defende que o centro da sua cidade deve ficar livre de carros:

A objeção mais forte a um centro sem carros é o possível prejuízo para as pequenas lojas que dependem de clientes que chegam de automóvel, estacionam e fazem compras rápidas. A preocupação é legítima, e os comerciantes cujo negócio depende do estacionamento à porta sentirão primeiro a mudança. Ainda assim, é preciso comparar esse custo com as vantagens de um centro livre de carros. Ruas sem trânsito têm mais espaço para peões, esplanadas e eventos, e quem anda a pé tende a ficar mais tempo e a entrar nas lojas, em vez de fazer uma paragem rápida. Além disso, parte da dificuldade é temporária: horários de cargas e descargas e parques de estacionamento próximos podem facilitar a transição, enquanto um centro mais calmo e seguro traz benefícios durante décadas. Assim, embora algumas empresas tenham de se adaptar, a cidade no seu conjunto, incluindo muitos desses negócios, tem mais a ganhar do que a perder.

O Callum reconhece abertamente o possível prejuízo e depois compara a dimensão, a duração e as soluções disponíveis. Não finge que as lojas não correm riscos, o que o torna mais credível aos olhos de quem tem uma.

Exemplo 3: As redes sociais fazem mal aos adolescentes? (conceder e virar o argumento)

A Noor defende que as escolas devem ensinar os adolescentes a usar as redes sociais, em vez de os afastar delas:

Muitos pais defendem que os adolescentes devem ficar completamente afastados das redes sociais, porque estas plataformas os expõem a comparações prejudiciais, bullying e conteúdos concebidos para os manter a fazer scroll. Estes riscos são reais. Mas reforçam a necessidade de ensinar, não de proibir. Se as plataformas são concebidas para captar a atenção, os adolescentes precisam de compreender como funcionam; uma proibição que termina aos 18 anos deixa-os perante as mesmas plataformas sem qualquer preparação. Os adolescentes também encontram formas de contornar as proibições, passando a utilizá-las longe da vista dos adultos que os poderiam ajudar. É precisamente por os riscos serem sérios que os alunos precisam de aprender a reconhecê-los enquanto ainda têm adultos por perto para os orientar. É isso que a educação pode oferecer e uma proibição não.

A inversão funciona porque a lógica muda realmente de sentido: quanto mais perigosas forem as plataformas, mais importante é ensinar os adolescentes a lidar com elas.

Antes de escreveres, o gerador de argumentos com IA pode ajudar-te a encontrar os contra-argumentos mais fortes à tua tese, para que respondas à verdadeira objeção. Depois, a ferramenta de feedback de escrita com IA pode verificar se incluíste os quatro passos. Precisas de um tema? A nossa lista de temas para textos argumentativos inclui muitas questões com bons argumentos dos dois lados.

Experimenta esta. Escolhe uma posição e escreve um parágrafo de refutação para o argumento que esperas do outro lado:

Debata-o no Debatly“As escolas devem obrigar os alunos a usar uniforme?”

Como refutar argumentos num debate ao vivo

Num debate ao vivo, tens minutos, por vezes segundos, para responder a argumentos que acabaste de ouvir. Os quatro passos continuam a aplicar-se, embora de forma mais rápida. Alguns hábitos ajudam-te a responder com clareza, em vez de entrares em pânico.

Toma notas durante o debate

À medida que o teu adversário fala, anota cada argumento numa frase curta, um por linha, e deixa espaço à direita para a tua resposta:

Argumento do outro lado A minha resposta Tipo
O uniforme reduz o bullying (oculta o rendimento) O estatuto revela-se nos telemóveis e nos sapatos; o bullying não depende só do rendimento Contestar o raciocínio
O uniforme poupa dinheiro aos pais Custo inicial, vários conjuntos, uma única loja autorizada Contestar as provas
O uniforme reforça o orgulho na escola O orgulho vem do sentimento de pertença; mesmo que seja verdade, pesa pouco perante a liberdade de expressão Contestar o raciocínio, comparar consequências

Estas notas impedem-te de esquecer argumentos e ajudam-te a perceber quais são os mais importantes antes de tomares a palavra.

Identifica sempre o argumento a que respondes

Quem te ouve não pode voltar atrás para reler. Diz a que argumento vais responder antes de começares: "Apresentaram três argumentos. Vou responder por ordem. Quanto ao bullying..." Numerar os pontos e fechar cada resposta com um resumo curto ("por isso, este argumento não se sustenta") ajuda o júri a acompanhar a tua intervenção.

Estabelece prioridades sem hesitar

Raramente terás tempo para responder bem a tudo. Concentra-te no argumento a que o outro lado dedicou mais tempo, naquele que poderia decidir o debate se fosse verdadeiro e nos que entram em conflito com o teu ponto mais forte. Agrupa os argumentos menos importantes e responde-lhes rapidamente: "Os dois últimos pontos partem do princípio de que os pais não conseguem pagar roupa, uma questão a que já respondi."

Gere o teu tempo

Uma regra prática: dedica cerca de dois terços da intervenção de refutação a responder ao outro lado e um terço a reforçar e comparar os teus argumentos. Termina com uma comparação: "É por estas razões que a nossa posição vence o debate." Mantém também um tom calmo. "Esse argumento tem uma falha" soa mais confiante do que "Isso é absurdo."

Frases para começar uma refutação

Objetivo Frases para começar
Introduzir o contra-argumento "Os críticos defendem que...", "Uma objeção frequente é que...", "O argumento mais forte contra esta posição é..."
Fazer uma concessão justa "É verdade que...", "Esta preocupação é legítima e...", "Há que reconhecer que..."
Mudar de direção "No entanto...", "Mas esta perspetiva ignora...", "Este raciocínio falha quando..."
Contestar as provas "Um único exemplo não demonstra que...", "Esta afirmação não é sustentada por...", "A fonte abrange apenas..."
Contestar o raciocínio "Mesmo que isto seja verdade, não significa que...", "Isto parte do princípio de que..."
Comparar consequências "Mesmo admitindo este ponto, ele tem menos peso do que... porque...", "O custo é temporário, enquanto o benefício perdura..."
Virar o argumento "Na verdade, este argumento apoia...", "É precisamente porque... que devemos..."
Retomar a tese "Logo...", "Assim, esta objeção não põe em causa...", "É por isso que... continua a ser a melhor opção"

Usa estas frases como apoio. Uma refutação cheia de expressões feitas continua a precisar de uma razão convincente no meio.

Erros comuns ao fazer uma refutação

Distorcer a posição contrária

O erro mais comum é responder a uma versão mais fraca do argumento apresentado. "O meu adversário quer que os jovens passem o dia inteiro a olhar para ecrãs" é mais fácil de atacar do que "O meu adversário acredita que o uso acompanhado das redes sociais desenvolve competências que uma proibição não permite adquirir." Quem defende a verdadeira posição vai notar a diferença. Pergunta-te: o outro lado diria "sim, é esse o nosso argumento"? Se imaginas uma reação de desagrado, reescreve o passo «dizem».

Introduzir argumentos novos demasiado tarde

Em muitos formatos de debate, as intervenções finais servem para responder e comparar argumentos. Argumentos completamente novos podem ser ignorados ou não permitidos, porque o outro lado já não tem oportunidade de responder. Num texto, o parágrafo de refutação deve responder a uma objeção, não introduzir discretamente um argumento principal de que te esqueceste. Se for importante, dá-lhe um parágrafo próprio no desenvolvimento.

Responder a tudo superficialmente

Alguns participantes tratam a refutação como uma lista de tarefas: uma frase por cada ponto contrário, sempre com a mesma profundidade. Acabam com cinco respostas fracas em vez de duas fortes. É melhor responder em profundidade ao argumento decisivo, com mais do que uma linha de resposta, do que passar por todos os pontos à pressa.

Afirmar sem explicar ou atacar a pessoa

"Isso simplesmente não é verdade" não é uma refutação. "Claro que diz isso, nunca deu uma aula" também não. Todas as refutações precisam de um «porque» dirigido ao argumento, não à pessoa que o apresenta.

Exercícios para melhorar as tuas refutações

  1. Reescrita em quatro passos. Encontra uma refutação fraca (num texto antigo ou numa conversa online) e reescreve-a com os quatro passos.
  2. Cinco formas, um argumento. Parte da frase "os trabalhos de casa desenvolvem a disciplina" e escreve uma refutação de uma frase para cada um dos cinco tipos. Decide qual é a mais forte e porquê.
  3. Reforça o argumento contrário primeiro. Antes de refutares seja o que for, escreve o argumento do outro lado de uma forma que os seus defensores aceitariam. Compara a tua refutação com a que terias escrito sem este passo.
  4. Refutação em 90 segundos. Pede a um amigo que apresente durante dois minutos um argumento sobre um tema da nossa lista de temas para debate. Toma notas e depois faz uma refutação de 90 segundos, identificando os pontos a que respondes. Troquem de papéis.
  5. A sequência do «mesmo que». Escreve uma refutação que use «mesmo que» duas vezes: "As provas são fracas. Mesmo que fossem fortes, não demonstrariam X. Mesmo que demonstrassem X, Y seria mais importante."

O Yusuf, capitão de um clube de debate, começa todos os treinos com o segundo exercício. Ao fim de algumas semanas, os membros mais recentes deixam de recorrer ao "isso não é verdade" e passam a perguntar "qual é o elo mais fraco?"

Praticar refutações com IA no Debatly

A parte mais difícil de praticar refutações é ter, sempre que precisas, um bom argumento a que responder, vindo de um lado que não foste tu a escrever. É aí que um debate com IA pode ser realmente útil.

No Debatly, vários modelos e personagens de IA defendem posições diferentes sobre a tua pergunta ao longo de várias rondas e respondem aos argumentos uns dos outros. Também podes defender uma das posições. No fim, um juiz compara os argumentos e apresenta um veredito fundamentado. Ainda não conheces o formato? O artigo O que é uma sala de debate com IA explica como funciona uma sessão.

  • Lê, faz uma pausa e refuta. Inicia um debate com IA sobre o tema do teu texto. Depois da intervenção inicial do outro lado, para de ler e escreve a tua própria refutação em quatro passos. Compara-a depois com a resposta de quem defendeu a tua posição.
  • Defende uma posição. Na sala de debate, escolhe um lado e deixa os participantes de IA responderem. Terás de refutar argumentos que não escolheste, como num debate real.
  • Enfrenta uma crítica implacável. Apresenta a tua tese à Petra, a advogada do diabo. Cada objeção que ela levanta é uma oportunidade para praticar.
  • Lê o veredito. Deixa o Juiz Alex avaliar o debate. Se o juiz der peso a um argumento a que pensavas ter respondido, é provável que tenha faltado um passo à tua refutação, muitas vezes o «logo».

Antes de entregar o texto final sobre as redes sociais, a Noor levou a sua questão a debate, escreveu um parágrafo de refutação para a objeção mais forte e verificou se o juiz mencionava algum ponto a que não tinha respondido. Mencionava um, que acabou por dar origem ao seu segundo parágrafo de refutação.

Duas questões com argumentos fortes dos dois lados:

Debata-o no Debatly“A idade de voto deve descer para os 16 anos?”
Debata-o no Debatly“Os centros das cidades devem ser fechados aos automóveis particulares?”

Uma limitação importante

Os participantes de IA produzem argumentos fluentes e confiantes, mas fluência não é sinónimo de correção. Podem exagerar a força das provas, ignorar o contexto local ou apresentar uma refutação que soa bem, mas não resistiria à análise de uma pessoa bem informada. Alguns também tendem a concordar contigo (o nosso artigo sobre porque é que a IA concorda contigo explica porquê), por isso pede-lhes explicitamente que defendam a posição contrária. Usa a IA como parceira de treino e confirma as afirmações em fontes fiáveis antes de as incluíres no teu texto.

Começa com uma refutação esta semana

Já tens as ferramentas necessárias. Distingue uma tese contrária de um contra-argumento e de uma refutação. Usa os quatro passos: dizem, mas, porque, logo. Escolhe conscientemente o tipo de resposta: contestar as provas, quebrar a ligação lógica, comparar consequências, virar o argumento ou conceder e limitar. Nos textos, reserva uma parte justa do parágrafo para o outro lado. Nos debates, toma notas, identifica cada ponto e estabelece prioridades.

Esta semana, escolhe um argumento com que discordes e escreve uma refutação em quatro passos. Depois, escreve outra usando um tipo diferente e decide qual é mais forte.

Se quiseres ter argumentos para refutar sempre que precisares, transforma o teu tema num debate no Debatly e vê como o juiz avalia as tuas respostas. Experimenta começar pelo texto que estás a escrever agora. Podes consultar os planos na página de preços.

Debata-o no Debatly

“Como fazer uma refutação: método em quatro passos com exemplos”

Perguntas frequentes

Uma refutação é a tua resposta a um argumento contrário. Mostra por que razão o ponto do outro lado está errado, é menos forte do que parece ou tem menos importância do que o teu. Num texto, costuma ocupar um parágrafo próprio. Num debate, é a parte da intervenção em que respondes ao adversário.
O contra-argumento é o argumento do lado contrário: uma afirmação que se opõe à tua tese, acompanhada das razões que a sustentam. A refutação é a tua resposta. Num texto, normalmente apresentas primeiro o contra-argumento de forma justa e depois respondes-lhe no mesmo parágrafo.
Começa por apresentar a posição contrária de forma justa, com uma expressão como "Os críticos defendem que..." ou "Uma objeção frequente é que...". Explica numa frase por que razão essa posição convence algumas pessoas. Depois, usa "No entanto" para introduzir a tua resposta, as provas e a ligação à tua tese.
Um método simples é: dizem (apresenta corretamente o argumento contrário), mas (identifica a falha), porque (explica a tua razão e apresenta provas) e logo (mostra o que isso significa para a questão ou para a tua tese). Saltar um destes passos costuma enfraquecer a refutação.
Muitas vezes, imediatamente antes da conclusão, depois dos principais parágrafos de desenvolvimento. Também podes colocá-la logo a seguir ao parágrafo que o contra-argumento mais diretamente contesta. Ambas as opções funcionam, desde que apresentes a posição contrária de forma justa e ligues claramente a tua resposta à tese.
Num texto, um parágrafo bem desenvolvido por cada contra-argumento principal costuma ser suficiente. Dedica aproximadamente um terço à posição contrária e dois terços à tua resposta. Num debate, a profundidade é mais importante do que a quantidade: responde bem aos argumentos decisivos, em vez de responder brevemente a todos.
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